segunda-feira, 24 de março de 2008

GUERRA DE PERCEPÇÕES NA IMAGEM PROFISSIONAL

Uma das definições mais claras que já vi sobre marcas é aquela que define uma marca como sendo uma esponja. Isso mesmo! Uma esponja que absorve conteúdo, imagens, sons, aromas. Conteúdo bom e conteúdo ruim.

É como se ela fosse absorvendo tudo que é feito em seu nome: os ótimos comerciais e aqueles completamente sem graça e, sem efeito. As ótimas ações de marketing e aquelas sofríveis que ninguém sabe porque foram aprovadas. O que se fala da marca nos corredores da própria empresa, os memorandos, as cores, os uniformes, a logomarca, o material de vendas, as pastas, a programação visual, enfim, tudo. A declaração do presidente da empresa e as palavras recitadas pela telefonista. Tudo deixa uma impressão. Todas essas manifestações acrescentam ou subtraem algum valor da marca. A marca absorve e exsuda esse conteúdo.

Se fizermos um paralelo com nossas marcas pessoais o raciocínio é o mesmo. Como marcas pessoais somos essa mesma esponja que absorve conteúdo e deixa sinais o tempo todo. Temos 25, 30, 35, 40 anos de impressões nos outros. Desde que estabelecemos as primeiras relações nos bancos escolares, passamos a deixar um rastro da nossa marca. Deixamos impressões e essas impressões vão sendo reiteradas ao longo dos anos.

Defendo a idéia que somos uma espécie de ferramenta multimídia causando impactos em todos que estão à nossa volta. Somos como uma campanha de comunicação sem fim! Você se assusta com isso? Não concorda? Então pense e reflita comigo um pouco mais sobre isso.

Como profissionais podemos ser admirados no escritório e em nosso círculo de amizades através não só da nossa bagagem técnica, mas das impressões que deixamos nos outros. Se falamos bem, deixamos impressões em quem nos escuta. Se estamos bem ou mal vestidos, também deixamos um saldo por isso.

O nosso tom de voz delata um pouco do nosso estado de espírito. Nossa postura entrega um pouco de quem somos. O que carregamos nas mãos pode mostrar nossos hábitos. O que tem sobre nossas mesas relata um pedaço da nossa história particular e profissional: um pouco de quem somos, dos nossos gostos, dos nossos ícones, das nossas aspirações. Na verdade, somos quem parecemos ser!

Nosso carro (cheio de adesivos) mostra se temos filhos em idade escolar, se somos sócios de um clube, se temos filhos adolescentes, se pertencemos a alguma associação, se defendemos o planeta, nossa postura política, etc.
Nosso carro também mostra um pouco do nosso estilo: esportivo, clássico, alternativo, arrojado, comportado. Mostra também nossa preocupação e os cuidados que temos com nossos bens: limpeza, higiene, organização.

O nosso visual pessoal, da mesma forma. São detalhes, que vão aos poucos, compondo um grande quadro sobre quem somos. São sinais. E esses sinais acabam construindo o todo da nossa marca como pessoas e como profissionais, exatamente como as marcas corporativas.

Isso pode soar estranho para boa parte de nós. Mas creiam é a mais absoluta verdade. Somos medidos no mercado de trabalho pelo resíduo que deixamos nos que estão à nossa volta. Isso é percepção. E acreditem ou não, em muitas vezes, esses sinais exteriores acabam sendo muito maiores do que a nossa bagagem técnica e pesando muito nas decisões da nossa carreira.

Injustiça? Não sei. Mas fizemos isso com nosso médico, com nosso advogado, com nossos colegas e com a maioria dos profissionais que nos cercam. Saímos por aí, dizendo que ótimo advogado e que péssimo médico, na maioria das vezes baseado nos sinais que entendemos para definir quem é e quem não é bom profissional.

Por quê? Porque simplesmente não temos condições de julgar tecnicamente e passamos a julgar por aquilo que conhecemos: pelos sinais periféricos. É assim que reagimos e é assim que as pessoas reagem à nossa marca. É simples assim. É duro assim.

Sem saber ou sem querer, todos nós, acabamos propagando características de nossos amigos, colegas, fornecedores, clientes, através de nossos contatos diários, criando uma grande rede de informações que se retro alimenta o tempo todo. Resumimos anos de trabalho num ou dois adjetivos.

O resultado? É que essa rede acaba estabelecendo um senso de valor de quem é bom, quem é médio e quem é ruim. Essa rede estabelece quanto vale cada um. Quem tem sucesso e quem é a grande promessa do mercado. Quem está em declínio e quem será leiloado. Quem é veloz e quem é lento. Quem é vencedor e quem está fadado ao fracasso!

Se você não acredita, paciência, mas só por curiosidade, dê uma olhada à sua volta e faça um exame dos sinais dos seus vizinhos de trabalho. Você vai entender o que estou falando. E hoje, amigo, como profissional, você está no meio de uma grande guerra de mercado e essa guerra tem nome: percepção.

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