sexta-feira, 25 de abril de 2008

O TAMANHO DA SUA RESPONSABILIDADE COM A ARP NO DIA 28.

A maioria de vocês sabe do meu envolvimento com a ARP - Associação Riograndense de Propaganda. Participo dela há duas gestões. Na primeira como Diretor de Planejamento (de 2004 a 2005) e na segunda como Vice-Presidente (de 2006 a 2007).

Nestas eleições, para 2008 a 2009 resolvi que deveria apoiar o candidato Celso Chittolina como Vice-Presidente novamente, acompanhado da Lúcia Bastos (RBS) e do Mauro Dorfmann (Dez Propaganda). Não posso deixar de dizer que sou completamente comprometido com a continuidade do que está sendo feito por vários motivos, mas entre eles, este: fiz o planejamento estratégico da ARP em 2004, quando o Airton Rocha assumiu como presidente.

Encontrei um cenário que era desolador na entidade. Apesar dos seus quase 49 anos na época, uma entidade que tinha um pouco mais de 100 sócios. Não tinha nenhum projeto concreto sendo tocado a não ser os dois certames: Salão da Propaganda e Salão Promocional. Boa parte do mercado ressentida pelo pouco que a ARP oferecia e representava para o mercado publicitário. O jantar, ponto máximo do Salão da Propaganda era motivo de inúmeras reclamações. Os Salões tinham regras não muito claras e todo ano muito questionamento sobre as premiações. A pergunta corrente era: para que servia a ARP?

No primeiro planejamento estabelecemos três grandes diretrizes: deveríamos resgatar a auto-estima da entidade; deveríamos colocá-la de novo no centro do mercado como interface entre os clientes, as agências e seus profissionais, os fornecedores e os veículos e, por último, deveríamos aproximá-la das universidades como forma de apostar na qualificação dos futuros profissionais. Estabelecemos mais uma série de metas, entre elas, aumentar o número de sócios e dar sentido ao fato de ser sócio.

A estratégia foi utilizar o "telhado de vidro" (Salões da Propaganda) como alavanca para a consecução das três diretrizes. A proposta foi concebida como a 1ª Semana da Propaganda ARP 2005. Uma semana de debates, palestras, encontros, exposição, work-shops num lugar legal, bonito, diferente, surpreendente, aderente ao conceito de uma ARP inovadora, comprometida com a idéia de resgate da auto-estima das agências e dos profissionais. A idéia era dar um novo sentido aos Salões. Sair de uma festa fechada e questionada para um lugar aberto ao maior público possível. Para que os clientes e consumidores (objetivo maior do nosso trabalho) pudessem ver, reconhecer o trabalho, discutir junto e participar. A meta maior dessa proposta: mostrar ao mercado que nós publicitários eramos capazes de realizar um evento grandioso e que essa poderia ser a alavanca para todo o resgate do prestígio da ARP.

A idéia não parecia arriscada. Era extremamente arriscada. Não tínhamos nada: nem prestígio, nem respeito, nem dinheiro para esse investimento. No início, o que tínhamos era apenas a idéia e um power-point feito por mim, com slides de uma feira de São Paulo. Mas o Airton aceitou a estratégia e comprou a idéia. A diretoria toda comprou a idéia e se empolgou com o desafio: iríamos fazer.

Queríamos fazer no aeroporto antigo pela simbologia, mas conseguimos o cais do porto que também trazia uma metáfora interessante. A diretoria se desdobrou em trabalho para fazer isso. Muitos abriram mão de seus negócios, de seus finais de semana, de inúmeros almoços e se atiraram de cabeça no projeto. Cada um a sua maneira, mas um grupo pequeno muito unido que abraçou a idéia e ficou desafiado de levá-la até o fim.

O projeto promocional foi desenvolvido pela Simone da Marketing Business que o fez subir vários níveis em qualidade e o arquitetônico pela dupla de arquitetos Joel e Daniela, da Liquens - que o deixaram maravilhoso. Passamos de agência em agência apresentando esse planejamento. Em algumas mais de uma vez. Passamos em todos os veículos de comunicação. Levamos e apresentamos o projeto em várias universidades. Apresentamos ao conselho. Apresentamos para os ex-presidentes, apresentamos para muitos clientes. Apresentamos para associações como AGERT, ApDesign, AMPRO, AGADI, ANJ. Passamos meses e meses apresentando e defendendo. Mas não foi fácil.

Várias agências boicotaram os salões e nos tiraram uma receita que era imprescindível. O Airton e a diretoria não desanimaram e continuaram. Conseguimos fazer. Com todos os erros, defeitos técnicos e algumas precariedades, conseguimos fazer. Ficou surpreendente e funcionou. Tivemos um Congresso da AGERT numa aproximação inédita com a ARP. Tivemos uma palestra fantástica do Zé Pedro Goulart da Zepelin, tivemos grandes palestras como a do Luciano Déos do GAD, tivemos uma palestra imperdível da manager nacional da marca Absolut. Tivemos mostras. Tivemos laboratórios.

Tivemos a sorte também de uma semana maravilhosa de sol forte e um pôr-do-sol lindo no cais do porto. Muitas pessoas se emocionaram no fim de tarde, escutando boa música e relaxando nos lounges na beira do cais. O Vice-Governador foi ao jantar. O Prefeito foi ao jantar. O Presidente da Assembléia foi a jantar. Muitos grandes clientes foram ao jantar. Muita gente curiosa das mais diversas áreas foi visitar. Muita gente achou lindo. A maioria acreditou que era o inicio do resgate e passou a apoiar. Ali começou a transformação na ARP.

Mérito do Airton que era o presidente e que comprou o desafio, mas mérito também de quem trabalhou muito por isso e não obteve o registro na época como: a Gagá Celente da QuatroCom, o Joel e a Daniela da Liquens, o Geraldo Barboza da QG, a Simone da Marketing Busines, a Heloisa Cotta que era da Martins (hoje Master), O Gerson Lattuada (Martins), a Sílvia Binotto da BinoCom, O Juarez da Brava Filmes (que segurou um orçamento terrível e fez mágica para conseguirmos cumprir tudo).

Fizemos o segundo ano também no cais do porto. Ninguém acreditava que podia melhorar. Melhorou muito. Ar-condicionado impecável. Novo formato, mais expositores, mais patrocinadores, mais gente participando, adesão total. A ARP triplicou o número de sócios nessa época. Ganhou novos regulamentos discutidos com todos os grupos organizados do mercado. Fizemos noites e noites de reuniões com entidades profissionais, com atendimentos, com o grupo de mídia, com produtores gráficos, com produtoras de áudio, com produtoras de vídeo.

Os Salões ganharam novas regras e adesão total da agências. Mas também resgatamos os anuários. Havia somente o número. Nos empenhamos e conseguimos patrocinadores que acreditaram na ARP e nos deram o seu apoio. Foram viabilizados e resgatados. Uma dívida da ARP que ressentia os profissionais foi liquidada.

No final da gestão não havia candidatos à presidente. Muitos diziam que tínhamos criado um patamar tão alto que ia ser difícil superar e que ninguém queria arriscar. O Jopa aceitou (diga-se de passagem que quase à força numa pressão minha e do Airton sobre ele numa mesa do Café do Porto). Mas ele teve coragem e aceitou o desafio. E quiz fazer mais.

A resposta do mercado veio logo na posse no Sheraton super lotado e com uma representatividade política de mercado que a ARP não via há décadas. O Chittolina, o Mauro e eu ficamos de vice. Tive o prazer de fazer o planejamento de novo e o desafio era fazer melhor, era buscar um salto. Trouxemos mais gente.

Nos matamos em noites e noites de discussão e resolvemos mudar várias coisas, entre elas o local. Mudamos o conceito também. Acabamos no antigo parque industrial da Renner Têxtil, no DC Shopping. A Doda da Inventa Evento se juntou a nós e deu uma enorme contribuição em qualidade na organização promocional e na coordenação. Ninguém acreditava que era possível. Fizemos a mais linda Semana da Propaganda até então e o jantar mais impecável da história da propaganda gaúcha. O Joel e a Daniela se superaram de novo na arquitetura. O ambiente ganhou o olhar crítico do Chitto e com ele, obras de arte, cenários especiais, lounges, efeitos especiais e uma nova dinâmica. Ninguém acreditava mas foi criado um novo patamar. Autoridades participaram, clientes participaram, universidades participaram, veículos participaram, fornecedores participaram. Fizemos.

Chegamos ao segundo e último ano de mandato da gestão do Jopa. Novo desafio. Novo planejamento. Com brigas intermináveis e reuniões sem fim chegamos a um formato inédito: uma Semana ARP da Comunicação 2007 em multi-lugares, no Bairro Moinhos de Vento, com a maior participação popular da história da ARP. Envolvemos a Prefeitura em sete secretarias, as associações de moradores, os restaurantes, o shopping, o clube, os bares, os cafés, os restaurantes. Fizemos lounges urbanos, intervenções arquitetônicas. Embandeiramos o bairro com a marca da ARP.

Criamos também o prêmio revelação que mobilizou as agências menores no mercado, como forma de homenagear e estimular novos empreendedores.Fizemos o Fórum do Anunciante e conseguimos uma aproximação muito estreita com a ABA.

Não preciso recordar todos detalhes para vocês, mas com certeza novo patamar foi superado nesta gestão do Jopa. A ARP contratou uma agência pela primeira vez (DCS) e apostou naquilo que acreditamos: comunicação de boa qualidade e profissionalismo como exemplo a ser dado pela entidade. Os veículos apoiaram e se fez comunicação de verdade. Os eventos bateram recordes de inscrição. As palestras todas lotadas (e foram dezenas em vários lugares). Os patrocinadores apoiaram como nunca e o evento foi impecável e ganhou muitas matérias em vários jornais.

A pergunta agora é: dá para fazer melhor? Com esse resgate, dá para avançar em outras áreas que temos como meta? Dá para construir em dois anos uma nova sede que seja ponto de capacitação e referência para o mercado publicitário? Dá para dobrar de novo o numero de sócios? Dá para oferecer mais ao mercado? Não sei.

A dúvida mobilizadora é a mesma de quatro anos atrás. E isso gera uma coisa boa de novo. Um novo desafio.

Enfim. Esse post gigante com esse relato longo é pra dizer que não tenho como não estar comprometido com a proposta do Chittolina e desta chapa que se candidata a mais uma gestão. Faço parte em corpo e propósito com este caminho trilhado agora que vem sendo construído desde 2004. Estou nele de corpo e alma.

Tive a responsabilidade e a honra de planejar cada um desses 4 anos. Acredito nele. Acredito nas pessoas que se uniram em torno dele. E, embora saiba que ainda estamos muito distante do que queríamos em 2004, não tenho dúvidas que temos hoje uma ARP muito melhor do que tínhamos. Com respeito, com idéias, com trabalho, com profissionalismo e com propósito.

No dia 28 próximo haverá eleições para a ARP. Existem duas chapas com visões diferentes para o mercado escolher. Propósitos contrários, visões completamente diferentes. A chapa 1 do Chittolina, da Lúcia, do Mauro e minha que quer continuar esse caminho. A chapa dois defendo o contrário. Esse é o tamanho da responsabilidade do mercado publicitário com a ARP no dia 28.

Essa decisão não pode ser de uns poucos, mas de todo o mercado. E eu torço que se possa comparar as propostas e que o mercado escolha aquela que melhor representa os desejos do mercado publicitário. Até lá.

Um comentário:

Maurício Bastos disse...

Arthur, apesar do post extenso, foi muito interessante conhecer um pouco dos bastidores e da mobilização que vem ocorrendo na ARP nos últimos anos. Parabéns pela merecida vitória nas eleições! Tenho certeza que os próximos anos serão muito promissores, sobretudo pelo fato de profissionais tão competentes estarem se dedicando de coração à causa da entidade. Estou com vocês!