quinta-feira, 12 de junho de 2008

PARE DE SER TÃO NORMAL

Você pode não acreditar, mas a normalidade não levará você a lugar algum. Num mundo cada vez mais dominado pela igualdade e pela medianidade, o valor está em não seguir o rebanho. O valor está em não seguir as regras. Em não se conformar com o estabelecido. Em contrariar a normalidade.

Pode parecer estranho dependendo da ótica que você olhar. Mas reflita bem e me diga se alguém construiu alguma coisa valiosa nesse planeta conformando-se com a normalidade. Volte uns séculos e constate isso. Pense nas artes. Pense na música. Pense nos negócios. Não se limite às invenções, mas pense comigo nas grandes transformações, nas grandes idéias, nas mudanças significativas, nos projetos brilhantes.

Se você refletir sobre cada uma dessas coisas você vai constatar que um não conformista foi lá, rasgou as regras e fez diferente.

Na verdade, sou radical nisso: penso que a normalidade empobrece e não constrói nada. Porque a normalidade aparentemente te acalma, te deixa mais seguro, mas na verdade ela te equaliza, te suga energia, te puxa para baixo, te deixa igual. Ou seja, sem nenhum valor profissional.

Relembre quando você entrou pela primeira vez na empresa (se você for contratado) e pense sobre todas aquelas coisas que você constatou e de quanta vontade você teve de fazer alguma coisa de forma diferente, de quebrar algumas regras e construir algo diferente. E constate que hoje, você talvez não veja nem sinta mais nada disso.

Lembre de quando você montou esse negócio (se for o empreendedor) com aquela enorme vontade e uma clareza absoluta - que talvez, você não tenha mais. Lembra de quando você se filiou àquela entidade e os projetos que lhe passavam pela cabeça que, talvez não passem mais.

Sabe por quê? Porque você foi equalizado para a normalidade do ambiente ou do setor. Você começou a vibrar na mesma onda que a maioria. Você seguiu as regras da casa e virou móveis e utensílios. E, talvez você não faça mais a menor diferença na empresa nem no mercado. Sabe por quê? Porque você foi contratado justamente pela diferença que fazia. Você foi contratado justamente para desequilibrar a normalidade da empresa trazendo coisas novas, novos ângulos de visão, novas idéias. E se você se equalizou e passou a vibrar como a maioria não desequilibra mais nada, não confronta mais nada e não serve mais. Se não aconteceu ainda, fique atento porque pode acontecer. Forte isso? Não sei.

Mas se pensar em negócios e inovação pense em Richard Branson, da Virgin e veja o que ele fez com a venda de música na época. Pense no que havia no mercado e o que ele fez com a aviação e com as ferrovias na Europa. Pense em Steve Jobs da Apple e veja o que ele fez com o mercado e o impacto na sua vida.

Pense em Ray Krock do Mc Donalds e dimensione o antes e depois de uma idéia diferente no ramo da alimentação. Pense em Anita Rodick da Body Shop e o que ela derrubou de regras no mundo da cosmética e a invenção do ativismo empresarial.

Agora pense no seu negócio. Olhe para o lado. Olhe ao redor no escritório. Pense sobre o seu setor. Pense sobre seus produtos e serviços. Pense sobre a sua entidade. Pense sobre sua marca pessoal e sobre sua carreira. Você está enxergando alguma coisa diferente? Você está fazendo alguma diferença? Você faz diferença?

A normalidade só vai te levar a enxergar aquilo que todo mundo enxerga e fazer aquilo que todo mundo faz. Vai te levar para as mesmas idéias e soluções que todo mundo encontra. A normalidade vai te levar para o meio da manada. Para a invisibilidade. Ser normal além de não produzir nada de interessante, vai deixar as tuas tardes de inverno mais pesadas, a pauta mais longa, a agenda tediosa, as segundas-feiras um saco, as conversas menos agradáveis, o mercado e os dias muito mais chatos.

Meu conselho: assuma alguns riscos e pare de ser tão normal. O prêmio pode ser fazer algo prazeroso e quem sabe até, memorável. Mas acredite, nada genial foi feito seguindo as regras do mercado.

5 comentários:

Ivan disse...

Grande Arthur, Prazer!
Uma vez li uma frase atribuida ao Rui Carlos Ostermann que não sei se realmente é dele e, se for, em que contexto ela foi publicada: "...o autodidata reiventa a roda todos os dias.."
Bullshit! Fale isso para o Steve Jobs ou para o Bill Gates, que abandonaram Harvard para inventar a Apple e a Microsoft.
O novo ainda não foi inventado. O novo foge da normalidade.
Forte Abraço,
Ivan Daniel

Ricardo disse...
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Cleber disse...

muito inspirador o texto artur...nem sempre eh o caminho mais simples e facil mas viva os anormais...

Ricardo disse...

E por falar em Richard Branson, da Virgin,lembre que ele contratou os Sex Pistols( que eram discriminados por serem polêmicos)para a sua gravadora.Isso acabou gerando uma explosão cultural chamada "punk" que tinha como caracteristica quebrar com o tradicional e vigente na música e comportamento da época(fim dos anos 70).Por isso concordo totalmente com o Arthur.
É isso aí, belo blog.

Arthur Bender disse...

Ricardo,
Tu acabou me lembrando do Sex Pistols que eu nem lembrava mais. Mas te confesso que eles foram muito marcantes na minha adolescência. Lembro de um final de ano (acho que de 77)curtindo a música God save the Queen num toca-discos com um velho e bom vinil! Bom esse Richard Branson.
Forte abraço.
Arthur Bender