terça-feira, 15 de julho de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 5. IMAGEM É APENAS UMA PARTE DO PROCESSO.

Não se limite a pensar que imagem pessoal é tudo. Imagem pessoal é parte fundamental do processo na gestão da sua marca, mas não é tudo. Personal branding significa muito mais que imagem pessoal. O seu visual é uma parte estratégica da sua promessa de valor como marca (porque é a parte visível – a aparência), mas ainda assim, não é tudo.

Pense sempre como empresa e você vai entender o que significa essa lei. Nenhum produto no mundo vai vender somente pela embalagem. Você precisa pensar no conjunto todo: no produto você, na embalagem você, no marketing da sua marca, na comunicação da sua marca, no gerenciamento do seu DNA de marca, na sua genética e nos seus valores. Você precisa saber como comunicar sua diferença de valor a sua promessa de valor.

Você precisa saber ainda como chegar lá. Ou seja, estabelecer sua estratégia de marca e um plano com movimentos táticos coerentes com sua estratégia. Para você ter uma idéia clara dessa diferença entre imagem pessoal e personal branding imagine uma caixa de sabão em pó (para ser extremo nesse exemplo) que possui uma embalagem linda, mas só uma embalagem linda. Você acredita que ela vai ser um sucesso de vendas? Pode até ser numa primeira experiência. E, se o produto for bom, poderá ter outras experiências repetidas. Mas pense bem, ele só seria vendido se estivesse no lugar certo, na hora certa, disponível para o público certo, na quantidade certa, num preço compatível.

Muitas empresas e profissionais no mercado trabalham com a terminologia marketing pessoal para definir imagem pessoal. Elas trabalham o seu visual, ajustam isso aos seus gostos pessoais, lhe dão coerência nesse conjunto e certamente podem lhe proporcionar uma aparência elegante e condizente com a sua posição social. Podem lhe ajudar a entender qual o ajuste certo entre o seu biotipo e suas combinações de roupas e acessórios. Tudo perfeito e, você fica lindo. Mas você precisa pensar que chegar lá é muito mais do que ficar elegante. Se for só isso que você deseja, tudo bem.

Agora se você acredita no poder das marcas pessoais e quer chegar lá, você precisa de personal branding. Você precisa gerir sua marca da maneira mais profissional possível, você precisa construir sua diferença de marca além das suas roupas e do seu corte de cabelo. Você precisa impregnar sua audiência com seus valores e impressionar positivamente a sua rede de relações com sua promessa de marca. Você precisa obter visibilidade e notoriedade para a sua marca. Isso envolve todos os sentidos, todos os sinais da marca, envolve o melhor aproveitamento das suas competências e habilidades, envolve o seu conteúdo, o seu posicionamento, o seu preço, os canais que você vai utilizar para vender a sua marca e a qualidade do relacionamento com os seus públicos.

Lembre-se dessa lei. Sua imagem pessoal é muito importante e - estratégica para a sua carreira de sucesso e para a gestão eficiente da sua marca, mas continua sendo uma parte do processo de personal branding. Se você só apostar na imagem sem um plano claro para a explorar sua promessa de marca você vai ser mais um perdido, só com a diferença que você será um perdido elegante! Por isso não esqueça, primeiro o plano estratégico de marca pessoal, depois a imagem.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

PERSONAL BRANDING. LEI NÚMERO 04. CONSTRUA UMA HISTÓRIA.

Toda grande marca no mundo corporativo possui uma imagem mítica que a faz diferente de todas as outras e ajuda a estabelecer um vínculo muito mais forte com os seus consumidores. Grandes marcas arregimentam legiões de fãs pelo mundo inteiro que reproduzem essas histórias e ajudam a construir o mito da marca.

Verídicas ou não essas histórias embalam nossos sonhos pessoais, ajudam a colorir a relação que temos com a marca e estabelecem laços mais fortes, além do mero consumo. É como se inconscientemente disséssemos: que história legal, essa história tem muito a ver comigo, com os meus sonhos, com as minhas crenças e aspirações.

Existem exemplos de grandes marcas do mundo corporativo que se tornaram gigantes mundiais a partir de uma crise resolvida, de uma virada espetacular, de uma trajetória diferente, de uma grande jogada de marketing e que se transformaram em marcas fortes porque o fato em si virou emblema mítico daquela trajetória de sucesso.

O sucesso contado numa história acaba contagiando outros consumidores que se identificam, contam e ampliam essa história para outros e acaba virando parte da mitologia da marca. Esse é o efeito de uma história na construção e consolidação dos valores de uma marca forte.

A mítica da marca TAM deve muito a história pessoal de seu fundador, o Comandante Rolim. Quem não se identificaria com a história real de um homem que a partir de um pequeno avião construiu uma companhia disposta a lutar com os gigantes da aviação no Brasil? Quem não ficaria emocionado com essa história de vida?

Essa história sozinha alimenta o mito do guerreiro que está dentro de todos nós. A história do sujeito que lutou com total desproporção de forças, sozinho com único avião, num segmento ultra-competitivo formado por gigantescas companhias e, foi lá e venceu. Quem não se identificaria (consciente ou inconsciente) com essa luta entre o “bem e o mal”, nessa luta entre David e Golias? Quem não ficaria sensível a pelos menos uma experiência com essa marca?

Tem a história sobre o executivo Carlos Ghosn, CEO da Renaut e da Nissan que salvou esta última da morte e a transformou numa marca globalmente respeitada. Esse brasileiro, filho de libaneses está entre os 25 mais influentes CEOs do mundo. E a lenda sobre ele é que seu apelido é “seven/eleven”.

Um apelido que vem do seu hábito obsessivo de entrar às sete horas no escritório e só sair as onze da noite, incluindo muitos finais de semana na mesma rotina. Um apelido que reforça sua imagem e que confessadamente “ele adora”. Já li muito sobre ele, mas sempre me retorna a lembrança do apelido e da história mítica sobre o samurai Carlos Ghosn. Tornou-se pra mim um símbolo e, certamente para muitos a história que define a marca desse executivo.

Histórias sobre o publicitário Nizan Guanaes povoam o imaginário do mercado publicitário e muitas delas passam de boca em boca, de computador em computador. São histórias sobre discursos, atitudes, arroubos que o tornaram uma espécie de mito no mercado publicitário nacional - com gente que ama ou que odeia, mas que não deixa de se referir ao Nizan com um grande respeito por essas histórias.

Some-se aí, as incríveis e fantásticas histórias sobre o genial Assis Chateaubriand, sobre o Sílvio Santos e sua origem como camelô e muitas outras personalidades famosas.

Com certeza muita gente não sabe toda a verdade ou sabe apenas o que ouviu de alguém que leu essa história. Ou sabe por que alguém contou que escutou de um amigo que por sua vez ouviu numa palestra, que nem se lembra onde. O importante é que algumas dessas histórias acabam sendo reproduzidas no boca a boca, são incorporados ao imaginário do mercado, vão ganhando força até tornaram-se parte essencial da marca.

Da mesma forma, nossos ídolos possuem histórias reais e estórias inventadas que se reproduziram (às vezes fora de controle) e que criaram uma aura especial sobre essas marcas pessoais. Dramas de vida, quedas, sucessos fantásticos, histórias pessoais de sofrimento, de violência, de rebeldia, de exemplos de vida tornam-se componentes (verídicos ou não) que reforçam a mítica e o valor da marca.

Mitos são histórias contadas que ajudam a entender e refletir sobre nossas experiências de vida, nossas angústias, nossos sonhos e nossos dramas pessoais. Todos nós precisamos dos mitos. Boa parte dos enigmas da nossa vida estão lá, nessas imagens e nessas histórias. Arquétipos e mitos são comuns na publicidade e ajudam inconscientemente a estreitar nossos laços com elas. A figura do grande pai, o mito do vencedor, o arquétipo do guerreiro, a figura da grande mãe todos eles podem ser encontrados nas páginas de revistas e nos filmes de TV do mundo todo e fazem parte do nosso imaginário coletivo.

Em personal branding é chave para o sucesso criar e alimentar histórias para consolidar a genética e os valores da marca de personalidades e celebridades. É preciso construir e contar uma história de acordo com a sua trajetória de vida, de preferência real, que tenha relevância para a sua audiência, coerente com os valores que estamos trabalhando. De nada adiante você construir uma história que não tenha vínculos com os valores propostos no DNA de marca ou que seja fora do contexto.

Relembre passagens significativas da sua vida, destaque fatos que possam dar brilho e singularidade à imagem a ser construída. Reveja suas vitórias e analise seus grandes fracassos. Trabalhe os fatos e momentos marcantes que reforçam sua trajetória de vida pessoal e profissional. Essa história precisa reforçar seu conceito, seus valores e sua promessa de marca.

Agora, cuidado: se você trabalhar com valores como ética e honestidade na sua marca e contar uma estória mentirosa você corre o sério risco de ser desmascarado e ver todo o seu esforço de marca ir pelo ralo. Dar brilho a alguns fatos e realçar momentos importantes da sua vida não quer dizer fraudar sua história pessoal. Se você fizer isso, estará construindo sua marca sobre terreno pantanoso e não é sobre esse tipo de terreno que se constroem marcas fortes.

Construa sua história com inteligência e extremo bom senso porque é ela quem vai proporcionar emoção e dar alma à sua marca. Não deixe que os outros criem a sua história. Conte você primeiro e depois deixe que ela ganhe vida própria. Só não pense em subestimar a sua audiência.