sexta-feira, 3 de outubro de 2008

INOVAÇÃO 02 - PROCURE NOS EXTREMOS

Inovação nunca está no centro dos acontecimentos. Inovação está na periferia entre o aceito e o não aceito. Entre aquilo que conhecemos, que temos consciência e aquilo que ainda não conhecemos. O centro dos acontecimentos (a parte mais alta e larga do gráfico em forma de sino gaussiano) concentra tudo aquilo que já incorporamos ao nosso cotidiano: a moda, os padrões, os comportamentos “normais” e, consequentemente - a medianidade. E se já incorporamos, não serve mais. Não é inovação e não vai gerar valor.

Mas estranhamente a maioria de nós vive com as mesmas perguntas e procurando respostas onde todo mundo está fazendo a mesma coisa o que nos leva sempre às mesmas saídas. E com isso, ficamos sempre cada vez mais iguais e com menos valor. Ou seja, tentamos, tentamos e voltamos para o Mediocristão!

Por isso esqueça. O centro da sociedade - e do seu negócio - nunca vai ter alguma pista sobre inovação. Se você se concentra no aceito, no normal e, principalmente no que o seu segmento está fazendo, você nunca vai inovar. Pelo contrário você será sempre um retardatário no mercado. E os consumidores são implacáveis com retardatários. O consumidor quer o diferente, o novo o surpreendente, o não imaginado ainda. E é isso que tem valor.

Quando você olha para os seus concorrentes você está olhando para o passado. Quando você analisa os números do segmento você está olhando para o passado. Quando você pesquisa somente os seus clientes você também está olhando para o passado. Por quê? Porque você analisa as coisas pela perspectiva do que já aconteceu. Se você sabe o que seus concorrentes fizeram é porque eles pensaram isso antes e realizaram antes de você. Se você só olha os números do segmento (os seus e os deles) é porque eles são já são o "realizado". Se você só procura entender os seus consumidores você olha as coisas pela perspectiva do ontem, do já comprado, mas não na do de amanhã. E amanhã? E no futuro?

Não acredita. Então pense no antigo fax e reflita sobre o que ele já significou em nossas vidas e se algum consumidor algum dia em alguma pesquisa disse que queria um aparalho desses? Quem pediu para inventar o I-phone? Quem pediu uma cafeteria diferente como a Starbucks?

Quando você pára de olhar somente para o seu negócio você abre uma nova perspectiva. Se você procurar nos extremos, vai constatar que na periferia estão os grandes insights. O território das Big Ideas que podem transformar o seu negócio.

É lá na periferia – no borderline social, entre o aceito e o não aceito pela sociedade que estão os loucos e os geniais que vão pautar o que a sociedade vai consumir logo logo. É lá que está sendo construído o comportamento que será trazido - em breve - para o centro da sociedade. É lá que existem novidades, novas necessidades, novos maneirismos e modismos que poderão tornar-se oportunidades inovadoras para a grande massa.

Se você abandonar a visão concêntrica pura e passar a observar também o borderline do seu negócio você cresce. Você ganha uma nova dimensão. Isso significa olhar para o seu segmento, mas conseguir também olhar para as bordas (os limites do seu negócios com outros segmentos) você passa a ver tudo com uma nova perspectiva.

Nessa periferia você pode descobrir outras práticas, você pode perceber a existência de novos canais. Você pode encontrar novas formas de criação de valor compartilhadas. E o mais importante, você torna-se aberto para entender que os seus problemas talvez possam ser solucionados por outras perguntas e não as mesmas que você sempre fez.

Esse é o valor do olhar sobre o borderline do seu segmento. Um território de muitas incertezas, mas rico em novas perguntas, novos questionamentos que podem ser chave para uma nova compreensão da sociedade e quem sabe - encontrar oportunidades que sejam inovação para o seu negócio. É lá no borderline do seu segmento que você pode encontrar algo revolucionário que pode desequilibrar toda a lógica do segmento - e gerar inovação de valor.