terça-feira, 13 de janeiro de 2009

O VAREJO MATOU O NATAL

Na semana passada fomos literalmente bombardeados pela Liquidação Bombástica! Pela Liquidação Fantástica! Pela Primeira Liquidação Anual! E pela primeira Liquidação 24h sem Enganação!(que teve prorrogação) E teve ainda 72 horas de Loucura Total!(que ganhou mais umas 24h) entre outras loucuras gerais e torras-torras totais.

A mesma gritaria de sempre. Os mesmos splashs, onomatopéias, anúncios feios, cores e números que pulam e gritam e se agarram no pescoço da gente no sofá. Ou seja, um período de grandes investimentos em mídia pelo varejo de linha dura e uma semana infernal para assistir TV.

E essa comunicação de varejo vende?

As fotografias de jornal e imagens dos principais telejornais do país na sexta-feira passada mostravam consumidores carregando fogões e geladeiras nas costas. Famílias se uniam como formigas carregadeiras com suas compras sendo arrastadas nas calçadas. Gente se amontoando e acotovelando nas entradas, disputando espaço aos tapas para se grudar numa televisão. Gente que passou com a família toda noite na fila para ser o primeiro a entrar. Lojas que distribuíram café da manhã para alimentar a multidão faminta. Lojas que fecharam as grades para manter a integridade física da massa de clientes dentro das lojas. Um sucesso!

E essas promoções dão resultado?

Notícias nos jornais deram como certa a quantia de 70 milhões em vendas em 24 horas para o varejo nacional do Magazine Luiza. Ponto Frio anunciava o faturamento equivalente a quatro sábados também em 24 horas. Nada mal para um período que seria de baixas vendas pós Natal.

E o Natal como foi para o varejo?

Não foi tão bem assim. Não como o varejo de linha dura gostaria. Dezembro não tem sido o mesmo de uns anos para cá. O consumidor foi descobrindo aos poucos que depois do Natal é melhor para comprar bens duráveis porque todas as redes fazem grandes liquidações. O que era uma liquidação excepcional de saldos de mostruário virou marca do calendário promocional com cada vez mais força. Assim, o consumidor não compra mais bens duráveis no Natal e espera a liquidação e joga o faturamento do varejo de dezembro para janeiro.

O varejo matou o Natal.

Com isso o calendário foi-se esticando nos dois extremos. Antecipa-se em muito o Natal com promoção natalina no final de outubro e início de novembro. Torra-se o Natal nos primeiros dias de dezembro e abrem-se mais de quinze dias de liquidação depois invadindo metade do janeiro.

Ou seja, o Natal tornou-se um período de quase três meses com várias promoções fragmentadas no calendário. E com isso, o mês que sempre foi de fartura para o varejo, encolheu drasticamente nesses últimos anos. Eu creio que o dezembro nunca mais será o mesmo para o varejo de linha dura porque o próprio varejo matou o Natal.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

MÍDIA DESAGRÁVEL NO JANTAR

Eu sei que eu janto meio tarde. Hoje descobri que preciso mudar para acompanhar o raciocínio dos estrategistas de mídia. Eu explico. Janto entre 9h30min e 10 horas. Tá, eu sei que é tarde, mas não tem como ser mais cedo. É a minha vida.

Mas minha idéia de mudar de horário tem sido estimulada pela mídia. Nesses últimos dias tenho sempre jantado assistindo aquele comercial do iogurte Activia para prisão de ventre. Vocês sabem qual é? Não?

Eu vou descrevê-lo: uma mulher (já viu que é sempre uma mulher nos comerciais de remédio para prisão de ventre. Será que homem não sofre disso?), com cara de aperto, de travada, de trancada olhando você no meio da sua sala. Com aquele olhar incômodo de me ajuda!

Você olha para a sua carne no prato e para aquela última batata com molho e - na TV entra aquele desenho lindo de um intestino grosso em computação gráfica. No intestino entra uma seta amarela piscando apontando para baixo e fazendo o bolo alimentar descer! Descer! Descer! Alegria! Desceu! Fecha o filme com os potinhos de iogurte para prisão de ventre do Actívia.

Toda noite mais ou menos às 9h30min da noite ele aparece no meio da minha sala compartilhando o meu jantar e o da minha família nesse papo de bolo alimentar que deve descer (com a seta amarela).

Como publicitário eu entendo. O raciocínio da estrategista de mídia deve ser: tem de ser depois do jantar...quando deve dar aquela sensação de trancamento, aperto e culpa no pessoal em casa que tem prisão de ventre. E aí, tome seta empurrando o bolo alimentar e Actívia neles!

Mas nessa noite foi demais. Tava encerrando minha carne de panela com batatas e ele entrou de novo. A mesma mulher e a mesma seta no bolo alimentar dos últimos seis meses. O mesmo filme. Pontualmente às 9h30min. Mas nessa noite os estrategistas de mídia passaram dos limites comigo.

No mesmo break comercial pós Actívia entrou o comercial do laxante Lacto-Purga. Isso foi demais. E para fechar o break imaginem o quê? Corega Tabs. Uma inovação genial! Pastilhas efervescentes para colocar na água para limpar os restos da sua dentadura. Agh! O filme fala que as dentaduras juntam muitas bactérias (em computação gráfica de novo entra uma lente de aumento e mostra em close a dentadura e as bactérias se acumulando). O filme encerra com uma pastilha efervescente do Corega Tabs.

Ponto final. Fui vencido. Encerrei o jantar.