quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

BRANDING SENSORIAL E PATCHOULI

Passo quase todos os dias na frente de uma loja de moda feminina para praia que fica no térreo do nosso escritório na esquina da Florêncio com a Mostardeiro. Na calçada sente-se um aroma de bronzeador que inacreditavelmente me pega todos os dias.

Não tem jeito. Não existe aroma mais característico que esse de bronzeador. Tá sentindo? É só falar nele que lembramos. As associações são imediatas. Numa fração de segundos, meu cérebro dispara. Lembro praia, areia, sol brilhante, alegria, carona para praia, relembro momentos, viagens, amigos, surgem imagens, disparam emoções. Não tem como evitar. Passo na calçada, sinto o aroma e brotam as sensações.

Passo por lá, normalmente mergulhado em outros pensamentos. Na maioria, bem distantes da praia. Mas invariavelmente acabo sendo pego de surpresa. Como se fosse retirado do meu mundo e interrompido à força pelos pensamentos gerados por aquele aroma agradável. Já tentei sentir e reprimir as sensações. Mas não tem jeito.

Os aromas fazem isso com a gente. Possuem uma ligação direta com cortex cerebral que furam o bloqueio dos ruídos e abrem todas as gavetas puxando turbilhões de emoções e lembranças.

Aroma de café sendo passado e bolo de laranja saindo do forno. Tá sentindo o aroma? Lembra o quê? Não lembra toalha xadrez de verde e branco? Cadeiras nas calçadas com vizinhos conversando. Pra mim lembra também sestas forçadas para as crianças depois do almoço nas férias, primos em casa e vó de cabelo branco. Brinquedo de arquinho na rua com a gurizada e cozinhas grandes que eram a peça principal da casa reunindo toda a família para o café da tarde.

Aroma de terra molhada. Lembra o quê? Pra mim não tem aroma mais marcante que este. Tardes quentes de verão e a criançada liberada para tomar banho de chuva. Uma aroma indescritível. Meio forte, meio amadeirado, meio musgo, meio verde escuro que lembra perfume de patchouli.

Lembra de perfume de essência de patchouli? O meu pai associava com maconha e odiava quando eu usava. Tinha uma certa rebeldia no meio dos anos 70 usar patchouli. Acredite. Lembrou do aroma? Remeteu a quê? Para quem tem mais de quarenta pode lembrar do Bar do Lola ou do Bar do João. Lembra o show do Sivuca no Teatro Presidente. Pode lembrar do filme "Rock é Rock Mesmo" do Led Zeppelin no cinema da Oswaldo Aranha numa sessão especial às 3 da manhã. Pode lembrar do X do Rib's na 24 de Outubro no meio da madrugada de um sábado. Jaqueta jeans. Tênis All Star. Crepe no Parcão. Pode lembrar de viagens de Dama da Noite e cogumelos catados nos sítios do Lindóia. Da histórica passeata contra o general Videla na Praça Argentina. Lembra da música "Pra não dizer que não falei de flores". Pode lembrar de um show memorável do Jorge Mautner na Reitoria. Pode lembrar das noites no IAPI e do pôr-do-sol de domingo na Praça das Peras.

Não lembra de nada disso? Pergunta para o tio mais próximo que se criou em Porto Alegre nos anos 70. O importante é o poder dos aromas e cheiros que fazem a nossa vida diferente e que tem o poder de abrir gavetas velhas em buscas de antigas e boas sensações que alteram nossa emoções.

Esse é o poder do branding sensorial. É a chave que abre portas. Como faz a loja da minha esquina todo dia comigo.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O SEU BRANDING NAS REDES SOCIAIS

Por: Paulo Faustino do Blog Fiquei Rico

1. Defina quem você quer ser
Existem várias formas de ser reconhecido em redes sociais, e isso é extremamente importante de definir, bem antes de fazer o registo (cadastro). As opções variam pelo nickname, nome pessoal, nome do blog, nome artistico ou qualquer outro. Se você trabalha numa área profissional e pretende ser reconhecido pelo seu nome próprio, procure registar-se com ele e trabalhar o seu branding em torno do seu nome.

2. Seja seletivo na escolha das redes
Um dos grandes problemas relacionados com redes sociais, prende-se com o fato de existirem muitas, o que invariavelmente dispersa a atenção do blogger.
Em termos de redes sociais recomendo claramente o diHiTT e o Uêba. São de longe os que produzem mais tráfego, em menor tempo. Em termos de micro-blogging, recomendo o Twitter e o Plurk. Fique atento que brevemente sai um artigo sobre como encontrar a rede social ideal.

3. Análise da rede e inserção de conteúdos
As redes sociais têm a particularidade de viverem com extrema dinâmica e assuntos muitos diversos. Procure analisar o que de melhor se faz nessa rede social, e procure desenvolver algumas ideias que se enquadrem nos gostos dos leitores. Quanto maior o seu sucesso dentro da rede, mais conhecido e adorado será. Se conseguir ser consistente e manter um rigor elevado, as pessoas irão começar a segui-lo e a interessar-se por aquilo que você diz e faz.

4. Seja ativo
Compreenda que ser ativo numa rede social, é um processo de longa duração. Quando falo em ser ativo, geralmente associo também a regularidade. Seja regular e activo durante pelo menos 6 meses, e depois analise os resultados. Se utilizar uma rede social apenas 5 minutos por dia, torna-se complicado conseguir beneficiar disso.

5. Conecte-se com outras pessoas
As redes sociais, regra geral, estão directamente relacionadas com os contactos e a popularidade dos seus membros. No Twitter o número de seguidores reflecte-se no tráfego que a rede produz, por exemplo, enquanto no diHiTT e outros redes do tipo, é essencial ter contactos para conseguir colocar artigos na primeira página da rede.
Ao conectar-se com outras pessoas, dentro e fora do seu nicho, é uma forma de trabalhar a sua credibilidade, o seu branding e também a relação entre ambos, que depois reflecte-se no número de votos que você recebe.

6. Escrever para humanos - não para robôs
Geralmente um dos erros mais comuns entre bloggers é o fato de estes passarem a construir artigos e conteúdos que produzem elevado tráfego, mas que não correspondem às necessidades dos seus leitores. Preocupe-se em escrever com qualidade, tanto no seu blog como nas redes sociais, que o tráfego acabará por surgir. Quando se comete o erro de escrever para os motores de busca ou para o hype, o seu branding começa a deteriorar-se e aos poucos a sua popularidade diminui.

7. Substância é necessária
Se pretende distinguir-se dos demais bloggers dentro do seu nicho de mercado, a única forma de o fazer com qualidade, é apresentando elevada substância nos seus conteúdos. Escrever o mesmo que os outros escrevem pode não ser a solução, mas escrever sobre os mesmos termos de uma forma mais aprimorada e profunda é seguramente um factor de destaque. Mostrar a sua excelência é extremamente importante, tanto no que toca a blogs, como a redes sociais. Não seja superficial!

8. Link Building
As redes sociais são também uma das formas mais exequíveis de conseguir atrair a atenção de outros blogs, que mais cedo ou mais tarde, acabam por citá-lo e enviar-lhe links. O chamado link-love é uma forma de mostrar o respeito e admiração pelo trabalho de um outro blogger, e as redes sociais são o melhor local para encontrar essas matérias e pessoas.

9. O que dizem de si?
Manter-se atento sobre o que os outros escrevem de si é muito importante no que toca à reputação e construção do seu branding. Se conseguir, mantenha-se atento ao que os outros escrevem de si, e faça pesquisas regulares no Google relacionadas com o seu blog e com o nome pessoal. Para complementar, siga os seus perfis no Technorati e no BlogBlogs, e analise bem os links que recebe e o que os outros dizem sobre a sua pessoa e sobre o seu trabalho.

10. Construa um perfil de qualidade
Há redes e redes. No que toca a redes sociais há diversas diferenças inerentes a todas elas. Existem redes que não servem para nada (Hi5 e MySpace - dentro do contexto servem apenas para conhecer pessoas), existem redes para publicação de artigos e conhecer novas pessoas (diHiTT e Orkut) e existem redes profissionais para partilha de conhecimento e trabalhos (Facebook e Linkedin). Embora as redes profissionais não conduzam a tanto benefícios directos e instantâneos, são seguramente uma forma de se manter em contacto com um nicho de profissionais competentes e cientes dos seus objectivos e desejos. Profissionalismo nunca fez mal a ninguém, não é mesmo?

Agora é hora de construir o seu perfil e o seu branding, seguindo toda a lógica das redes sociais e dos benefícios que nelas existem. Seja persistente e obstinado, caso contrário será díficil conseguir resultados.

Leia também: Como trabalhar o seu branding através das redes sociais - o guia completo


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Mas o que é branding, afinal?

O termo branding é mal compreendido e está sendo usado para explicar qualquer coisa. No entanto, atrair consumidores para a sua marca é o trabalho mais relevante que um profissional de marketing pode fazer.

Por Monica Sabino

De uns tempos para cá, em toda parte começou a aparecer o termo branding, a buzzword preferida dos marketeiros. Tudo é uma questão de branding, ações de marketing viraram ações de branding, as justificativas de se estourar o orçamento deste mês são, sem dúvida, um problema de branding, e até algumas agências de design viraram agências de branding.

No começo desse mês, eu li no Branding Strategy Insider esse post, que fala sobre como o branding está precisando trabalhar no seu próprio branding.

Eu explico. O abuso do termo não é exclusivo dos brasileiros, e tem causado irritação e frustração nos outros profissionais (que não os de marketing) nas empresas. Porque na prática, como o termo branding está sendo usado para explicar qualquer coisa, tem virado piada e sinônimo de blá-blá-blá. Quando foi que a palavra virou algo misterioso que não sabemos bem a que se refere?

Uma marca ou brand é a percepção dos consumidores sobre um produto, serviço, experiência ou organização. Não o que os profissionais de marketing pensam que a marca é, mas o que ELES, os consumidores acham que ela é.

Portanto, por princípio, não existe marca em um escritório de design. Ou num boardroom. A marca está nas ruas, nas casas, sendo vivida e experimentada. O design, o sistema de identidade de uma marca, é sim, importantíssimo, crucial. É a estratégia em forma visível, como dizia o pioneiro Wally Ollins. Mas não é a totalidade do que é a marca.

Para a American Marketing Association, branding não é fazer com que um consumidor escolha uma marca ao invés da marca concorrente. É fazer com que um potencial consumidor perceba a marca como a única solução para o que ele busca. A única escolha lógica para o que ela está oferecendo. Branding é um sistema de comunicação que deixa claro porque a marca importa. É achar e comunicar algo que atraia os consumidores para a marca, ao invés de você ter que caçá-los de modos, algumas vezes, bem caros.

E não adianta ser apenas diferente. Diferente é ótimo, claro. Nossa atenção vai direto para o que é diferente. Tem que ser relevante. Tem que ser solução. E não porque eu digo, mas porque o consumidor, o usuário está dizendo.

Branding é atrair esses consumidores para a sua brand. É o trabalho mais relevante e de maior ROI que um profissional de marketing pode fazer. Branding te faz saber o que dizer antes mesmo de que você abra a boca. Portanto o diretor financeiro tem que cobrar o bom branding, porque ele aumenta as chances de retorno do investimento na marca. E não ter medo de quando o diretor de marketing usa a palavra de modo enigmático.

Da próxima vez que ouvir o termo mal-utilizado, passe a mensagem para frente. Pergunte o que o consumidor achou. Pergunte como isso torna a marca a escolha lógica. Como isso atrai os consumidores para que não se tenha que caçá-los. Para que quando formos falar de branding, falemos de verdade, que o assunto é importante.

Texto retirado do site: [Webinsider]