sábado, 26 de setembro de 2009

A NORMALIDADE DA MÉDIA EMPOBRECE

Se você se contenta com a média, paciência. Mas há um preço para isso. Sabe qual é? Ter empresa média, visibilidade média, reconhecimento médio, reputação média, carreira média, salário médio, bônus médio, vida média. E o pior: segurança média. Porque,acredite, os médios nunca estão seguros em lugar algum. Sempre é possível surgir algum excelente no seu caminho, e aí a sua medianidade ficará exposta.

Uma pequena diferença de atitude pode ser a sua grande vantagem.

Num mundo corporativo de alta competitividade, com milhares de profissionais normais e invisíveis, uma pequena diferença de comportamento e de atitude pode resultar numa enorme vantagem competitiva. Por isso, o mundo dos profissionais normais está prestes a falir como empresa. A normalidade não leva a lugar algum. Nenhuma marca bem-sucedida atingiu o sucesso por ser normal. O sucesso está ligado à criação de algo novo, diferente e valioso por sua diferença. O normal tem valor médio de mercado, é commodity. O valor está na diferença que você representa na perspectiva de quem lhe compra. Simples assim.

A normalidade empobrece.

Na verdade, sou radical nisso: acredito que a normalidade empobrece e não constrói nada. Pior: rouba sonhos, destrói carreiras. Quer tédio maior que negociar com alguém que não brilha o olho? Quer frustração maior do que tratar com quem nitidamente se ressente com o que faz? Quer tristeza maior do que conviver com quem se arrasta no cargo, na posição por falta de opções? Quer mediocridade maior do que nunca ser surpreendido com nada. Receber apenas e tão somente o esperado, o normal?

A normalidade da massa equaliza.

Aparentemente a normalidade o acalma, o deixa mais seguro. Você olha para os lados e pensa que está saindo-se bem porque não está fazendo errado. Você faz o que o antigo sujeito no cargo fazia. Você faz no cargo o que outros sujeitos em igual posição também fazem. Você não faz pior do que os seus colegas e se conforma. Mas na verdade a normalidade, o padrão geral o equaliza, suga a sua energia transformadora, nega o insight genial, mata a tentativa do inédito, puxa você para baixo, deixando-o igual a imensa massa, igual a todos os outros. Ou seja, normal como os outros. Sem valor.

A normalidade sorrateira está na sua empresa.

Lembre-se de quando entrou pela primeira vez na sua empresa e pense em tudo aquilo que você constatou e em como teve vontade de fazer algo diferente, de quebrar algumas regras e construir novos valores. Lembra disso? Lembre-se de quando ia trabalhar motivado, desafiado, querendo construir, transformar, realizar mais, surpreender? E aí você começou a encontrar problemas.

E aí você começou a encontrar gente que disse que não dava. Você ficou sabendo de outros que tentaram e não conseguiram. E você vai se equalizando com a média. Você vai se ajustando, se normalizando e, parando. E observe que hoje, você talvez não veja nem sinta mais nada sobre isso. Você ainda sente a mesma coisa? Você ainda sente alguma coisa? Se você sente-se assim, a normalidade da empresa, sorrateira e traiçoeiramente pegou você.

A normalidade que rouba sonhos.

Pense em quando montou seu próprio empreendimento com aquela enorme vontade e uma clareza absoluta. Não tinha adversidade que não se transformasse em desafio. Uma viagem de última hora, uma madrugada em claro, um final de semana sem parar. E tudo brilhava, tudo somava, tudo desafiava.

Mas vieram as comparações de mercado em confronto com seus sonhos. Vieram as experiências dos outros que não deram certo, os modelos fracassados da concorrência, a lamúria de profissionais iguais a você que disseram que não ia dar certo, os conselhos dos amigos sobre os riscos e as dificuldades que todos encontramos para fazer alguma coisa diferente.

E, talvez agora, tudo isso tenha se transformado em peso, sobrecarga e estresse. Você passa a revisar um pouco o projeto, baixar um pouco as expectativas, reduzir um pouco mais o sonho e a se equalizar com a medianidade do mercado. E assim, a normalidade da massa ao seu lado rouba pouco a pouco os seus maiores sonhos.

Seu sonho ainda faz diferença?

Agora reflita sobre a sua empresa. Reflita sobre o seu cargo. Reflita sobre os seus sonhos. Olhe para o lado. Olhe ao redor. Pense na sua entidade de classe. Reflita sobre a sua marca pessoal, sobre sua carreira. Você está enxergando alguma coisa diferente? Está fazendo alguma diferença? Você ainda faz diferença?

terça-feira, 22 de setembro de 2009

A BATIDA DE MARCA DO NELSINHO PIQUET

Atletas são as marcas pessoais mais difíceis de serem gerenciadas. O sucesso depende de inúmeros fatores não muito controláveis que envolvem grau de competitividade da modalidade esportiva, capacidade técnica de equipes, treinadores, patrocínios, verbas, comitês, regras, etc...

Também porque a habilidade e o desempenho técnico podem oscilar ao longo da carreira e afetar dramaticamente o valor da marca no mercado. Ronaldinho Gaúcho é um bom exemplo disso. Desempenho cai, valor da marca cai, visbilidade se enfraquece, valor de patrocínios caem na mesma proporção.

E o fator mais crucial, atletas dependem do desempenho físico. É só reparar na barriga fenomenal do Ronaldo Fenômeno e o enorme esforço dele contra a balança nestes últimos anos, mesmo com uma equipe de médicos e especialistas ao seu lado. É o efeito genética / desregramento afetando o valor da marca pessoal.

Atletas ainda tem uma barreira inevitável: a obsolescência física, que lhês dá uma vida útil, às vezes muito curta e um final de carreira pré-determinado, queiram ou não. E que boa parte ignora ao longo da carreira e que só começa a pensar no que fazer, quando ela já está encerrada. Veja o caso dos jogadores de futebol.

Mas talvez a barreira maior a ser vencida em personal branding de atletas, seja a instabilidade emocional que afeta diretamente muitas carreiras que são construídas em torno de muita visibilidade, glória e sucesso rápidos. E que, em muitos casos, declinam e se apagam com a mesma velocidade.

O acidente de carro com o "Animal"

Pequenos abalos e desvios éticos também podem rapidamente destruir o valor da marca. Basta um deslize e pronto. Anos de bons desempenhos vão por água a baixo. Lembram do Edmundo "Animal" e sua campanha da Pepsi? Um acidente de carro com vítimas acabou com uma marca que na época era muito valiosa no mercado.

O acidente com cerveja do Ronaldo.

Ronaldo Nazário fazendo propaganda de cerveja com copo na mão numa época crítica da carreira, onde tudo que ele não precisava era dar mais este incentivo ao valor de marca declinante dos últimos tempos quando passou por casamentos conflituosos expostos na imprensa, separações, escapadas em boates e escândalos sexuais com travestis em motéis.

Os acidentes emocionais de atletas.

Instabilidades emocionais e morais têm sido fator crítico para muitos atletas e celebridades do mundo esportivo. Vida privada exposta com escândalos, atos politicamente incorretos, agressões físicas e explosões com a imprensa são exemplos de desequilíbrios que colocam uma vida inteira a perder. Um único ato impensado e um enorme arranhão de marca, para sempre. Lembram da expressão "Vocês vão ter de me engolir?" Uma carreira de décadas de sucesso e um patrimônio enorme de marca pessoal de um profissional como o Zagalo pode ficar resumida numa frase. E numa frase lamentável numa explosão emocional. Qual a imagem que fica para você? A dos títulos ou a imagem irascível - com o rosto na câmera de TV gritando?

A batida de marca do Nelsinho Piquet.

No caso da batida de marca do Nelsinho Piquet não consigo chegar a nenhuma explicação lógica a não ser o desejo de sucesso custe o que custar num mundo de muito glamour, egos enormes, dinheiro sobrando e caráter faltando. Uma batida de índole moral. Uma batida de marca fatal.

O "Cingapuragate" do Nelsinho Piquet encerra qualquer chance de reabilitação. Pior, dá um fim triste e lamentável a uma carreira que mal tinha iniciado e uma grande batida moral na herança da marca Nelson Piquet.