segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O PAPEL DAS PESSOAS NAS TRANSFORMAÇÕES QUE QUEREMOS.


Entrevista com o presidente da Key Jump, Arthur Bender
O especialista em estratégia e branding, Arthur Bender, com mais de 25 anos de mercado e experiência internacional, em entrevista exclusiva ao MBC, falou sobre a importância da motivação das pessoas ao implementar novos processos de gestão e inovação. Bender é autor dos livros a Personal Branding - construindo sua marca pessoal e paixão; e Significado da Marca - Ponto de virada de marcas pessoais, marcas corporativas e organizações.
Confira a entrevista:
Qual a importância de motivar a equipe durante um processo de melhoria da gestão?
Acredito que seja um ponto crucial. Os planos e os projetos para qualquer melhoria não existem sem a execução das pessoas. Um projeto sem execução é apenas um plano numa gaveta ou num arquivo eletrônico. A execução é o que transforma uma intenção, uma vontade em algo concreto. E para uma execução plena, precisamos das pessoas. Motivação nesse sentido é vital e, a meu ver, nasce da compreensão do significado “do fazer individual” que pode gerar engajamento e comprometimento com os objetivos estratégicos. Sem essa compreensão do significado (da minha parte no projeto maior), os processos viram apenas mais tarefas. Motivação através da compreensão do significado, então é fundamental para o sucesso.   
E no caso da gestão pública?
Não difere muito da gestão na iniciativa privada. Pessoas são pessoas em qualquer lugar. As percepções, motivações e a capacidade ou incapacidade de compreensão são fatores críticos em qualquer setor. O cenário da gestão do público num primeiro momento pode parecer mais complexo pelas suas restrições, pelos fatores legais, pelo tipo de contrato, mas pessoas continuam sendo afetadas pelos mesmos aspectos tanto no primeiro, quanto no segundo ou terceiro setor. Por isso pessoas são o grande desafio dessa jornada. 
Como é possível envolver um servidor público neste processo?
Permitir que ele compreenda o significado do que faz e sua contribuição no todo. Boa parte dos planos fracassa porque as pessoas na média gerência não têm a mínima ideia porque estão fazendo o que fazem. Não entendendo o significado, não vêem sentido. E, aí, as atitudes podem ir do desleixo à sabotagem. Por isso não vejo outra forma de engajar se não a transparência extrema no objetivo maior e o compartilhar constante de informações,  refletindo juntos sobre cada percalço e comemorando juntos cada vitória por menor que seja, quando estas levam ao objetivo maior. E daí que pode nascer o engajamento genuíno e o sucesso coletivo.
O que você costuma abordar nas suas palestras?
Trato de gestão de marcas pessoais e da força dos propósitos para as carreiras. Mostro algumas armadilhas na gestão de marcas pessoais, falo da força da reputação numa sociedade envidraçada, da importância da atitude e defendo a tese de que cada um com o “seu porquê” individual têm capacidade de alterar a realidade do coletivo e de promover grandes transformações. Tento provar que a busca da excelência individual pode ser transformadora para criar um grupo de elite de gestores. E que estas pessoas alinhadas sob um propósito maior podem se tornar realmente a alavanca das transformações de organizações.
 O que você busca despertar em cada pessoa?
A reflexão que permite a transformação. Acredito que toda e qualquer transformação no indivíduo passa primeiro pela reflexão e pelo autoquestionamento. Minhas palestras então não são motivacionais, mas palestras que questionam, cutucam, apertam, e, que de certa forma, promovem reflexões. Porque acredito que ninguém motiva ninguém a não ser o próprio indivíduo – que tem a chave para isso.  Minha tarefa é conduzir o raciocínio da plateia para essa lógica: a excelência geralmente vem dos apaixonados pelo que fazem – que conseguem fazer com tanta paixão que chegam à maestria no que fazem. E que essa paixão não nasce do acaso, mas da busca do encaixe perfeito do indivíduo na sociedade. Da compreensão de que essa excelência a ser conquistada pode estar a serviço dele próprio e ser seu “motor econômico” como para contribuir para a transformação da sociedade. Essa é a força do significado para as marcas pessoais que defendo em meus livros e nas minhas palestras.
Neste cenário político-econômico tão complexo, como as pessoas devem se comportar ou lidar com as dificuldades seu ambiente de trabalho?
Acho a ideia de que “crise é sempre uma oportunidade” muito boa para ser uma frase num quadro na parede da sala de reuniões quando se tem números ruins para apresentar ao Conselho, mas que é muito simplista para alguma reação à crise. Eu acredito que oportunidades surgem tanto de crises quanto de períodos de crescimento. Tudo depende da atitude frente a cada um desses períodos. Mas concordo com a ideia de que é na restrição que se cresce com mais vigor e com mais consistência. Por quê? Porque a abundância, por vezes, só nos faz menos ousados e mais preguiçosos. E ao contrário, a pressão psicológica da restrição de recursos, nos força a ir mais a fundo e a nos esforçarmos mais. E é desse esforço extra que podem vir melhores resultados. Então, em última instância eu acredito muito na ideia de que o esforço da caminhada, a energia focada em superar barreiras e a luta para fazer mais por menos é que nos deixa profissionais e pessoas melhores.
 O MBC trabalha em defesa da melhoria da gestão pública e da competitividade brasileira, como você vê este trabalho?
 Vital. Imprescindível. Sem gestão pública eficaz nunca teremos Estado eficiente ou seremos competitivos como nação. Infelizmente, a história recente do Brasil tem mostrado à sociedade a gravidade da gestão descuidado dos recursos públicos e os nefastos desdobramentos que atingem a todos. Fazer gestão eficaz deveria ser o objetivo maior do Estado e o comprometimento com isso, o ponto número um para avaliar a capacidade de nossos representantes políticos.  

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